domingo, 31 de julho de 2011

Artigo: A sociedade acima de suas partes

Em sua aula magna na UERGS, semana passada, o governador Tarso Genro apontou, dentre os sintomas da crise democrática, o que chamou de “corporativismo economicista”, traduzido pela “luta limitada ao interesse da categoria e não do conjunto da sociedade”.

O chefe do Executivo tem compromisso com cada cidadão, mas, antes, com o conjunto da sociedade gaúcha. É dever do governante desenvolver todos os esforços a seu alcance para que todos, especialmente os mais desprotegidos, tenham acesso aos bens, serviços e obras produzidos pelo dinheiro público.

Isso implica, com frequência, na repartição desigual dos recursos, de modo a assegurar que quem não tem acesso e onde não haja políticas públicas sejam prioritários para recebê-las. Mulheres provedoras de família devem ter prioridade na política habitacional, regiões com menor IDH dever ter prioridade nas políticas de desenvolvimento social, salários mais baixos devem receber aumentos maiores que o topo da pirâmide de vencimentos. Estes exemplos apontam para a lógica que objetiva uma sociedade mais justa.

A Administração reafirma seu compromisso em recompor os níveis salariais, pagar o piso nacional do magistério, chamar concurso público para o preenchimento dos cargos de carreira vagos, enfim, remontar a máquina governamental, desmontada por gestões neoliberais. E também demonstra que recebeu o Estado numa péssima situação financeira. Contudo, o governador repete que estão valendo todos os seus compromissos com os trabalhadores públicos e em cinco meses deu eloquentes sinais disso – como concedendo aumento real do piso salarial regional e dos vencimentos do magistério.

Para mim, dirigente sindical, é difícil compreender que categorias profissionais que ocupam o cume da escala salarial do país ameacem o governo por suas exigências de “todo o meu já”, sem tomar em conta que quando não há dinheiro para tudo imediatamente é necessário escalonar o atendimento dos direitos e das demandas, com prioridade para a maioria e para os mais fracos.


Deputado estadual, economista, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Canoas e de Nova Santa Rita.

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